terça-feira, 30 de agosto de 2016

ESTRATÉGIAS DE ENSINO: ALGUMAS IDEIAS

Na tentativa de organizar material para o meu TCC em Educação Inclusiva, encontrei esta listagem de estratégias de ensino que podem ajudar a nortear o trabalho docente.

Resultado de imagem para estratégias de ensino na educação

 Estratégias de Ensino
Estratégia Descrição
Descrição
Aula expositiva
dialogada
É uma exposição do conteúdo, com a participação ativa dos estudantes, cujo conhecimento prévio deve ser considerado e pode ser tomado como ponto de partida. O professor leva os estudantes a questionarem, interpretarem e discutirem o objeto de estudo, a partir do reconhecimento e do confronto com a realidade. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 79).
Estudo de texto

É a exploração de ideias de um autor a partir do estudo crítico de um texto e/ou a busca de informações e exploração de ideias dos autores estudados. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 80)
Portfólio

É a identificação e a construção de registro, análise, seleção e reflexão das produções mais significativas ou identificação dos maiores desafios/dificuldades em relação ao objeto de estudo, assim como das formas encontradas para superação. (ANASTASIOU; ALVES, 2004,p. 81).
Tempestade
cerebral

É uma possibilidade de estimular a geração de novas ideias de forma espontânea e natural, deixando funcionar a imaginação. Não há certo ou errado. Tudo o que for levantado será considerado, solicitando-se, se necessário, uma explicação posterior do estudante. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 82).
Mapa conceitual

Consiste na construção de um diagrama que indica a relação de conceitos em uma perspectiva bidimensional, procurando mostrar as relações hierárquicas entre os conceitos pertinentes à estrutura do conteúdo. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 83).
Estudo dirigido

É o ato de estudar sob a orientação e diretividade do professor, visando sanar dificuldades específicas. É preciso ter claro: o que é a sessão, para que e como é preparada. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 84).
Estudo dirigido e
aulas orientadas

Permite ao aluno situar-se criticamente, extrapolar o texto para a realidade vivida, compreender e interpretar os problemas propostos, sanar dificuldades de entendimento e propor alternativas de solução; Exercita no aluno a habilidade de escrever o que foi lido e interpretá-lo; Prática dinâmica, criativa e crítica da leitura. (MARION; MARION, 2006, p. 42); (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 279-280).
Lista de discussão
por meios
informatizados

É a oportunidade de um grupo de pessoas poder debater, à distância, um tema sobre o qual sejam especialistas ou tenham realizado um estudo prévio, ou queiram aprofundá-lo por meio eletrônico. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 85).
Ensino à distância
As ferramentas usadas no ensino à distância vão das mais simples, como o ensino por correspondência sem apoio ou tutoria, pela comunicação apenas entre educador e educando, até os métodos mais sofisticados, que incluem esquemas interativos de comunicação não presencial via satélite, ou por redes de computadores. (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 289-294).
Ensino à distância
Solução de problemas
É o enfrentamento de uma situação nova, exigindo pensamento reflexivo, crítico e criativo a partir dos dados expressos na descrição do problema; demanda a aplicação de princípios, leis que podem ou não ser expressas em fórmulas matemáticas. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 86).
Resolução de
exercícios

O estudo por meio de tarefas concretas e práticas tem por finalidade a assimilação de conhecimentos, habilidades e hábitos sob a orientação do professor. (MARION; MARION, 2006, p. 46).
Ensino em
pequenos grupos

É uma estratégia particularmente válida em grandes turmas, pois consiste em separar a turma em pequenos grupos, para facilitar a discussão. Assim, despertará no aluno a iniciativa de pesquisar, de descobrir aquilo que precisa aprender. (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 278-279).

Phillips 66
É uma atividade grupal em que são feitas uma análise e uma discussão sobre temas / problemas do contexto dos estudantes. Pode também ser útil para obtenção de informação rápida sobre interesses, problemas, sugestões e perguntas. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 87).
Grupo de
verbalização e de
observação
(GV/GO)
É a análise de tema/problemas sob a coordenação do professor, que divide os estudantes em dois grupos: um de verbalização (GV) e outro de observação (GO). É uma estratégia aplicada com sucesso ao longo do processo de construção do conhecimento e requer leituras, estudos preliminares, enfim, um contato inicial com o tema. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 88).
Dramatização

É uma apresentação teatral, a partir de um foco, problema, tema etc. Pode conter explicitação de ideias, conceitos, argumentos e ser também um jeito particular de estudo de casos, já que a teatralização de um problema ou situação perante os estudantes equivale a apresentar-lhes um caso de relações humanas. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 89).
Seminário

É um espaço em que as ideias devem germinar ou ser semeadas. Portanto, espaço, onde um grupo discuta ou debata temas ou problemas que são colocados em discussão.(ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 90).
Estudo de caso
É a análise minuciosa e objetiva de uma situação real que necessita ser investigada e é desafiadora para os envolvidos. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 91).
Júri simulado
É uma simulação de um júri em que, a partir de um problema, são apresentados argumentos de defesa e de acusação. Pode levar o grupo à análise e à avaliação de um fato proposto com objetividade e realismo, à crítica construtiva de uma situação e à dinamização do grupo para estudar profundamente um tema real. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 92).
Simpósio

É a reunião de palestras e preleções breves apresentada por várias pessoas (duas a cinco) sobre um assunto ou sobre diversos aspectos de um assunto. Possibilita o desenvolvimento de habilidades sociais, de investigação, amplia experiências sobre um conteúdo específico, desenvolve habilidades de estabelecer relações. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 93).
Painel

É a discussão informal de um grupo de estudantes, indicados pelo professor (que já estudaram a matéria em análise, interessados ou afetados pelo problema em questão), em que apresentam pontos de vista antagônicos na presença de outros. Podem ser convidados estudantes de outras fases, cursos ou mesmo especialistas na área. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 94).
Palestras

Possibilidade de discussão com a pessoa externa ao ambiente universitário sobre um assunto de interesse coletivo, de acordo com um novo enfoque; Discussão, perguntas, levantamento de dados, aplicação do tema na prática, partindo da realidade do palestrante. (MARION; MARION, 2006, p. 42); (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 288-289).
Fórum

Consiste num espaço do tipo “reunião”, no qual todos os membros do grupo têm a oportunidade de participar do debate de um tema ou problema determinado. Pode ser utilizado após a apresentação teatral, palestra, projeção de um filme, para discutir um livro que tenha sido lido pelo grupo, um problema ou fato histórico, um artigo de jornal, uma visita ou uma excursão. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 95).
Discussão e
debate

Sugere aos educandos a reflexão acerca de conhecimentos obtidos após uma leitura ou exposição, dando oportunidade aos alunos para formular princípios com suas próprias palavras, sugerindo a aplicação desses princípios. (MARION; MARION, 2006, p. 42-44).
Oficina
(laboratório ou
worshop)

É a reunião de um pequeno número de pessoas com interesses comuns, a fim de estudar e trabalhar para o conhecimento ou aprofundamento de um tema, sob orientação de um especialista. Possibilita o aprender a fazer melhor algo, mediante a aplicação de conceitos e conhecimentos previamente adquiridos. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 96).
Escritório,
laboratório ou
empresa modelo
Proporciona ao aluno contato com a tecnologia da informação, os reflexos de má informação gerada, as inúmeras possibilidades de erros e os consequentes acertos. (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 286-288).
Estudo do meio
É um estudo direto do contexto natural e social no qual o estudante se insere, visando a uma determinada problemática de forma interdisciplinar. Cria condições para o contato com a realidade, propicia a aquisição de conhecimentos de forma direta, por meio da experiência
vivida. (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 97).
Ensino com
pesquisa

É a utilização dos princípios do ensino associados aos da pesquisa: Concepção de conhecimento e ciência em que a dúvida e a crítica sejam elementos fundamentais; assumir o estudo como situação construtiva e significativa, com concentração e autonomia crescente; fazer a passagem da simples reprodução para um equilíbrio entre reprodução e análise.(ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 98).
Exposições, excursões e visitas

Participação dos alunos na elaboração do plano de trabalho de campo; Possibilidade de integrar diversas áreas de conhecimento; Integração do aluno, através da escola, com a sociedade, através das empresas; Visualização, por parte do aluno, da teoria na prática;
Desenvolvimento do pensamento criativo do aluno e visão crítica da realidade em que ele se insere. (MARION; MARION, 2006, p. 37-38); (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 276-277).
Jogos de
empresas
Os alunos tornam-se agentes do processo; São desenvolvidas habilidades na tomada de decisões no nível administrativo, vivenciando-se ações interligadas em ambientes de incerteza; Permite a tomada de decisões estratégicas e táticas no gerenciamento dos recursos da empresa, sejam eles materiais ou humanos; (MARION; MARION, 2006, p. 50); (PETRUCCI e BATISTON (2006, p. 281-283).
Ensino
individualizado

O ensino individualizado é a estratégia que procura ajustar o processo de ensino-aprendizagem às reais necessidades e características do discente. (PETRUCCI; BATISTON, 2006, p. 294-298).

Fonte: elaborado com base em ANASTASIOU e ALVES (2004, p. 79); MARION e MARION (2006); PETRUCCI e BATISTON (2006).

domingo, 6 de março de 2016

SOBRE O SENTIR-SE




Somos seres dotados de sentidos. Aprendemos isto ainda pequeno e depuramos com o tempo. Contudo, parece haver uma ruptura neste sentir. Duarte Junior chama a isto de “A crise dos Sentidos” e convida o educador e rever-se.
O professor é aquele profissional que transita pelos vários campos do conhecimento e deve revisitar-se constantemente.
Ao planejar aulas, ao elaborar relatórios, ao avaliar... o nosso fazer é dotado de significações.
Muitas vezes, nos afazeres da sala de aula, somos movidos a parar e olhar para o aluno para além daquilo que se apresenta.
Faz-se necessário que nos indaguemos: que aluno quero formar? como olho para este aluno? que devolutivas positivas posso lhe dar ao fim das aulas?
Necessário se torna que nossas memórias possam ser reconstruídas modificando o presente e o futuro.
Quão ricas são as trocas entre nossos pares dentro e fora da escola! Sozinhos não fazemos absolutamente nada. A força vem do trabalho coletivo, da participação, das trocas, por mais singelas que possam parecer.
Cabe-nos, enquanto profissionais críticos, descentralizar as decisões, romper com os modelos e fazer uma leitura ou releitura e reinterpretação dos fatos à nossa volta (hermenêutica).
Nesta linha, devo indagar: que diálogo estabeleço com os meus pares, com as famílias, com meus alunos? me atenho aos conteúdos ou ouso ir além?
Onde quero chegar com a minha prática docente? o que é uma boa aula? em que momento permito-me aprender com meus alunos?
Nesta pluralidades, somos múltiplos de nós mesmos. Somos um universo dentro de outro universo...universão e não (uni) (versão).
Cada fazer deve  ser repleto de múltiplos 'fazeres'. Somente assim, o trabalho pedagógico se fortalece e difunde a criticidade.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A MÁGICA QUE SÓ OS HOMENS PODEM FAZER

Em minhas pesquisas diárias, deparei-me com este texto.
Compartilho-o na intenção de que o educador reflita a importância de seu papel.

A Mágica que só os Homens Sabem Fazer

 Um abacateiro dá abacate. 
Uma mangueira dá mangas, 
Uma girafa dá girafinhas.
 Uma nuvem dá chuva.
 E um Homem? 
Em princípio, ele geraria outros homens, apenas.
 Mas há uma diferença entre o abacateiro, a mangueira, a girafa, a nuvem e o Homem. 
O Homem é o único ser da natureza que tem condições de fazer algo mais, além de caçar, dormir e viver como os outros animais.
 Se quiser, o Homem pode voar como os pássaros, pode nadar como as baleias e, principalmente, pode ser eterno.
 Tudo isso quando começa a trabalhar.
 Trabalho é a mágica que faz o Homem se transformar em ser inteligente, capaz de criar de um ovo, uma omelete, de um tecido, uma fantasia, de um barulho, uma música.
  O mais importante é que ele goste muito do trabalho que escolheu e executa. Apenas assim ele consegue ser capaz de criar a fruta mais gostosa: a felicidade .
 E isso cada um tem que conseguir sozinho, ninguém poderá ensiná-lo, ou ajudá-lo, porque, como diz o cacique Apoente: “Uma árvore não pode ensinar outra árvore a crescer”.

(Autor desconhecido)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

TEMPOS, TEMPEROS E SABERES

Pluralidade, garimpo de palavras, pedaços de sonhos, sorrisos, verso e reverso, cuidado...  em uma analogia a poesia Relógio (Oswald de Andrade), todos estes conceitos compõe o cenário educacional. Cada palavra que vai, traz uma nova motivação, cada palavra que vem, uma nova forma de escuta. O tempo flui e com ele, os nossos projetos vão se delineando. Como nuvens no céu azul, buscamos formas de acordo com aquilo que já conhecemos. Nada é tão novo, nada é tão velho... os conceitos moram e mim. A dúvida é fiel parceira e seduz para novas buscas.

O tempo escolar é um desafio. Tempo e espaço se configuram numa relação de desafio ao fazer docente. Tempos que delimitam estruturas, expandem e recuam projetos. O tempo de plantar a semente do conhecimento e de colher seus frutos é instigante! O tempo que imprime ritmo e cadência ao trabalho em sala de aula.

Um tempo que traz à tona olhares: sobre aquilo que eu sei, sobre aquilo que o outro já sabe; sobre a provocação da forma de olhar. ‘Como olho a criança que chega?’ indago, provocando o pensar.

Um tempo de caminhar e explorar novos temperos, de degustar o banquete do conhecimento. 

Aprender como os pares, com a criança, com o mais velho, com o diferente: incluir e jamais rejeitar o outro que chega de coração aberto.

Quantas vezes somos surpreendidos por uma impressão equivocada de ser humano, de conceito, de julgamentos, de mundo? Com pré-conceitos, convicções que tendem a balançar como numa ponte móvel.


E o  mundo gira num tempo fragmentado, frente ao qual consumimos saberes e sabores, ora doces, ora amargos; investimos em informações e conhecimentos, em fatos e acontecimentos; investimos em pessoas... e como é bom investir em gente, em ‘gentes’! Eis aí o grande legado da  Educação.

sábado, 28 de novembro de 2015

TEXTO PARA REFLEXÃO SOBRE O SISTEMA BRAILLE

Caixa de texto: Quando e como ensinar o Sistema Braille para a criança com cegueira?

Profa. Maria da Graça França Corsi

A resposta a esta pergunta parece resumir uma questão central: a alfabetização.
Existe uma diferença crucial entre a construção da alfabetização e o acesso ao Sistema Braille. Embora estes processos caminhem lado a lado, há uma diferenciação em relação à criança vidente, exposta diariamente a um mundo colorido e repleto de informações visuais amplamente captadas pela visão, que associadas ao interesse e a curiosidade natural das crianças, colabora com a ampliação de seu vocabulário e formação de imagens mentais que conectadas à função dos objetos, figuras e a relação com o meio favorecem a construção do conhecimento neste mundo letrado. A profusão de palavras, frases, slogans, propicia a vivência, a compreensão e a pseudoleitura, fatores indispensáveis à alfabetização de qualquer criança.

A preocupação dos pais e professores quanto ao melhor momento para iniciar a alfabetização da criança com cegueira é fator preponderante na questão escolar. Parece que toda experiência pré-escolar perde sua riqueza e significado, frente a estes importantes instrumentos de comunicação: a leitura e a escrita.

A criança com deficiência visual necessita ter experiências variadas e concretizadas por meio de objetos, brincadeiras, jogos, situações do cotidiano e da relação com o outro. Tornando cada uma delas, percebida, sentida e vivenciada na situação real.

É por meio do corpo que se aprende e se conhece o mundo, reconhecendo a si mesmo, o outro, os objetos, os ambientes. Portanto, a constituição de corpo e sujeito ocorrerá mediante uma gama de oportunidades favorecidas pela interação com a família e as pessoas ao redor e contextualizadas nas experiências do cotidiano.

A construção de conceitos e sua internalização se dará também pela conceituação e estruturação do esquema corporal, relações temporais e espaciais, coordenação dinâmica global e manual, desenvolvimento das habilidades táteis e cinestésicas, atenção, concentração, memória e raciocínio. A troca entre a família, a professora e as crianças, fortalecerá a convivência, socialização, ampliação do vocabulário, o respeito, contato com as regras sociais, a oportunidade de falar e esperar sua vez, de intermediar e agir de maneira positiva e participativa.

Para que essas ações se concretizem é preciso que haja comunicação.
A comunicação é a maneira encontrada pelo ser humano para transmitir idéias, conceitos, dialogar, discutir. Deste modo, inicia-se muito cedo.

A mãe começa a se comunicar com seu bebê ainda na gestação. Ela acredita que ele a compreende e estimula a “conversa”, modulando a voz, aumentando e diminuindo a entonação, cantarola as cantigas de ninar e bem querer e acaricia sua barriga. Embora o bebê não possa compreender, a mãe se faz reconhecer insistindo nesta comunicação que se efetivará após o nascimento. Neste momento tão esperado, estará pronta para embalar, acariciar, aproximar-se, sorrir, tocar seu corpo, segurar sua mão, concretizando a apresentação e estabelecendo o vínculo com ele. Ao sentir que é bem vindo, torna-se receptivo e a convivência se fortalece. (Martin e Bueno, 2003)

Aos poucos a criança evolui e logo inicia os balbucios, motivando a família a repeti-los e valorizá-los, o que a estimula a continuar. A presença da mãe constitui um elemento importante, pois se torna um modelo para sua aprendizagem, construção da linguagem e vida cotidiana. É a pessoa querida e de confiança que a estimula a dar os primeiros passos e a enfrentar os desafios. A presença da cegueira poderá provocar dificuldades na formação de vínculo com a mãe, comprometendo a comunicação, devido à falta do contato visual.

As brincadeiras e trocas vocais são canais abertos para que a criança se comunique com seus pais. Cabe ressaltar que a criança com cegueira possui condições para a aquisição da linguagem e poderá surpreender sua família tanto para se comunicar, quanto para compreender o que lhe é dito e apresentado.

A criança vidente recebe grande quantidade de estímulos, além de perceber os gestos, expressões e imagens carregadas de significados, que por si só expressam a ação sem serem verbalizadas.  Para que a criança com cegueira se aproprie deste conhecimento e incorpore esta outra forma de se comunicar, precisará do toque e contato pele a pele para perceber as diferentes expressões: sorriso, espanto, aborrecimento, piscar dos olhos, o movimento dos lábios; acrescentando palavras e outros gestos que significam sim e não, positivo, alô, até logo. Fatores que contribuirão enormemente para o reconhecimento de si mesma, já que as brincadeiras em frente ao espelho de sua casa, não lhe servirão de estímulo. Neste aspecto, haverá prejuízo para as crianças com cegueira. A limitação em visualizar aquilo que não é dito e a impossibilidade de acesso a essas informações, suscitam atitudes vitais. Compete aos pais e professores, apresentar os objetos, incentivar a exploração tátil, explicar sobre sua função e demonstrar como se utiliza.

Os gestos e expressões faciais podem parecer comprometidos, mas a cegueira não constitui um obstáculo para o desenvolvimento e aquisição da linguagem, que precisa ser mediada de modo significativo, para que a criança compreenda o que está acontecendo ao seu redor. Daí a importância da antecipação dos eventos. Imagine-se adormecido em sua cama e ser despertado com o som de uma furadeira acima de sua cabeça. A primeira reação será de susto. É fundamental proporcionar experiências e possibilitar a interação entre a criança e o objeto ou acontecimento. Valorize cada som e aproxime dela o objeto, permitindo que perceba onde está localizado, visto que não o fará visualmente, nem tampouco apontará para ele, informando que o deseja. Este interesse despertado pela visão faz com que as crianças videntes olhem na direção das pessoas, objetos e acontecimentos. A falta de visão poderá despertar maior interesse pela audição e ao invés de “olhar”, a criança poderá virar a cabeça na direção do interlocutor. Aspecto que pode não ser compreendido pela família.

Interagir com a criança para intermediar o contato com os objetos e acontecimentos, atribuindo nome e função, favorece a ampliação de um vocabulário significativo e não meramente repetitivo. Portanto, são indicadas as brincadeiras de faz-de-conta que simulam as situações do cotidiano. A criança que vê as reproduz por meio da imitação visual e precisamos brincar com a aquela que não vê para aproximá-la dos objetos e brinquedos que auxiliarão neste processo de construção, organização da linguagem, pensamento, levantamento de hipóteses e elaboração das informações presentes na situação vivenciada.

As palavras são encantadoras para as crianças e repeti-las constitui um jogo interessante. As crianças podem repetir as palavras que ouvem pela sonoridade, mas nem sempre pelo significado. Muitas vezes, a família reforça este “jogo”, levando a criança a uma repetição inconsistente e desvinculada de qualquer significado. Estes estímulos devem ser associados ao contexto, para que sirvam de orientação à criança.
Em casa há vários ruídos presentes no ambiente e tendemos a nos concentrar naquele que desperta nosso interesse e atenção. A criança que está em seu quarto ou na sala, cercada por seus brinquedos, ouvirá o ruído do liquidificador na cozinha ou da TV. Pouco lhe servirá, dizer que o liquidificador está ligado. É preciso que ela vá até ele, possa manuseá-lo desligado, verificar as partes que o compõem, perceber que dentro do copo há uma lâmina cortante e perigosa. É preciso ainda dizer-lhe para que serve e acompanhar a transformação do alimento que pode ser um suco ou a sopa.  Já a criança que vê, percebe o barulho e desloca-se até a fonte sonora, aproximando-se para examinar melhor.

A criança com cegueira também é curiosa e tem interesse pela investigação, porém necessita de estímulo e motivação para que a experiência seja realmente proveitosa. Apenas dizer-lhe o que está acontecendo não reúne informações suficientes.

A construção da aprendizagem e a formação de conceitos se dará de modo particular nas pessoas com cegueira, pois sua maneira de conhecer e interpretar o mundo é diferente das pessoas videntes. Os objetos precisam ser tocados e as oportunidades muito variadas em relação às experiências táteis.
Este contato com objetos de diferentes formas, tamanhos, texturas, peso, temperatura, devem incluir o desenho e as representações em relevo, como figuras, tabelas, gráficos, diagramas. A criança precisará de grande refinamento tátil para reconhecer, discriminar e ler os pontos que formarão as letras, por isso não basta trabalhar somente com os objetos do cotidiano.

As atividades escolares ainda na educação infantil proporcionam o contato e a vivência com diferentes materiais. Além de jogos e brinquedos, a criança recorta, pinta, cola, modela e desenha. E o Braille? Estará presente em toda parte, nomeando seus utensílios pessoais, os objetos e cantinhos que compõem a sala de aula. Deste modo, a criança estará em contato direto com as letras, mesmo que ainda não possa reconhecê-las completamente. Os jogos com as letras móveis, também estarão disponíveis, desde que haja uma estreita relação entre a escola regular e o professor especializado. As adequações curriculares dependerão do trabalho conjunto e da elaboração do plano de inclusão, valorizando as conquistas, pois o currículo deve ser acessível a todos os alunos para que aprendam juntos.

Há uma diferenciação entre o acesso ao sistema Braille e a alfabetização. A criança com cegueira precisará ser motivada a reconhecer os pontos em relevo e podemos oferecer jogos e atividades gráficas que favoreçam o refinamento da percepção tátil.

A exposição aos estímulos táteis é cansativa para a criança, uma vez que utiliza um canal sensorial diferente das crianças videntes, as mãos. Estudos têm apontado que a leitura tátil é três vezes mais fatigante do que a visual, devido ao fato de ser mais vagarosa, exigir adequado posicionamento dos braços e mãos, sendo necessária força e destreza manual para deslizar levemente os dedos sobre o texto. As variações na temperatura como frio e calor intensos, podem provocar a diminuição da sensibilidade tátil (Bertelson, 1991). 
Ao nos depararmos com um texto, leremos o título num relance, mas a pessoa com cegueira o fará de modo muito diferente. Em contato com o mesmo texto escrito em Braille, precisará apoiar as mãos e dedos sobre ele e reconhecerá com a polpa do indicador apenas uma letra, isto é, um conjunto de caracteres em relevo que formam a primeira letra do título. Sendo necessário deslizar os dedos para que a leitura da palavra seja concluída ponto a ponto.

O posicionamento adequado das mãos sobre o texto, também é relevante para que a criança seja um bom leitor no futuro. Há três maneiras de fazê-lo:
- utiliza-se apenas uma das mãos e a leitura é feita com a “polpa” do dedo indicador da mão direita, que desliza sobre a linha explorando o texto; sendo o indicador da mão esquerda usado apenas para mudança de linha.
 - os dois indicadores exploram juntos a linha, movimentando um dedo ao lado do outro. Esta maneira é chamada de “exploração conjunta”.
 - na terceira, conhecido como “exploração independente”, os dedos realizam movimentos independentes ao longo da linha. Até a metade da linha a exploração é feita com os dois dedos, a seguir o indicador da mão direita desliza até o final, enquanto o indicador esquerdo localiza o início da linha seguinte, quando o indicador da mão direita ao passar para esta linha dará continuidade à leitura.

A escrita e leitura devem ser igualmente valorizadas, por meio de atividades interessantes para evitar exercícios repetitivos e sem significado. É importante possibilitar o contato com as palavras, frases, textos e livros de história infantil, substituindo a representação em tinta pelo desenho em relevo ou por objetos concretos, permitindo a interação da criança com os personagens. As atividades devem possibilitar o contato com os pontos em relevo, perceber as diferenças entre eles e motivar a criança a ler, observando-se o adequado posicionamento das mãos.

Outro aspecto importante a ser definido, diz respeito ao material utilizado para escrever. Atualmente, muitas crianças possuem a máquina de datilografia Braille e devem fazer uso dela diariamente, em casa e na escola. Outras crianças ainda precisam da reglete, que exige maior esforço, lentidão e a necessidade de manter a posição de escrita, inversa à posição de leitura, evocando o princípio da reversibilidade. É importante que a criança aprenda a manejar adequadamente seu material, como aprender a colocar o papel na máquina ou na reglete, compreender seu funcionamento e desenvolver habilidade suficiente para evitar o desperdício de tempo durante a execução da atividade.

A leitura constitui o veículo de cultura que a pessoa com cegueira não pode prescindir e por isso, deve estar acessível a todas as crianças, possibilitando sua autonomia e independência na expressão de seus sentimentos, desejos e na comunicação com o outro.
 

Referências Bibliográficas:

_____ Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. O acesso de pessoas com deficiência às classes e escolas comuns da rede regular de ensino. Brasília: PFDC, 2003.
_____ Ministério da Educação, SEE. Estratégias e orientações pedagógicas para a educação de crianças com necessidades educacionais especiais: dificuldades de comunicação e sinalização: deficiência visual. Secretaria de Educação Especial. Brasília: MEC / SEESS, 2002. 82 p.
Corsi, Maria da Graça França. Visão Subnormal: intervenção planejada. São Paulo: Impressão Editora Vida e Consciência, 2001. 122 p.
_____ Maria da Graça França. A inclusão escolar do aluno com deficiência visual. Monografia. São Paulo: FMU, 2003. 44p.

Filmes para assistir e pensar:

Diário de uma babá
Vermelho como o céu
A cor do paraíso
O milagre de Annie Sullivan

LINHAS DE ENSINO: VISÃO GERAL


  LINHAS DE ENSINO 
  
Construtivismo / Estruturalismo de Piaget
Principais Características:
Toda criança tem um mecanismo natural de aprendizagem e adquire certas noções na própria interação com o meio em que está inserida. Neste método, as atividades são propostas de acordo com os interesses dos alunos.
Bases históricas
As bases do método estão nas ideias do filósofo Jean Piaget (1896-1980), segundo quem as crianças compreendem espontaneamente o mundo através da assimilação e da acomodação deformando a realidade a fim  de entendê-la.

Construtivismo/Pós-piagentiano
Principais Características:
Enfatiza a influência  da experimentação no aprendizado: pesquisas, estímulo à dúvida e desenvolvimento do raciocínio. O aluno participa ativamente da “construção” de seu conhecimento, mas o papel do professor na transmissão da informação não é deixado de lado.
Bases históricas
O método vem sendo desenvolvido até hoje, mas suas bases recaem sobre os estudo da argentina Emília Ferreiro (ex colaboradora de Jean Piaget).
Montessori
Principais Características:
Os princípios fundamentais são: atividade, individualidade e liberdade. O professor é um observador, um guia para que a criança se auto eduque. A criança escolhe o material a ser utilizado, mas as opções já foram pré-estabelecidas pelo professor. Utiliza cinco materiais  básicos : Exercícios para a Vida Cotidiana, Material Sensorial, Material de Linguagem, Material de Matemática e Material de Ciências.
Bases históricas
O método montessoriano foi desenvolvido pela acadêmica italiana  Maria Montessori (1870-1952) no início do século 20.


Pragmatismo
Principais Características:
A inteligência é um instrumento da aprendizagem, portanto o método privilegia a prática, ao contrário do método tradicional.
Bases históricas
O Pragmatismo é uma escola filosófica e a corrente pedagógica foi criada pelo norte-americano John Dewey (1859-1952).


Pedagogia da Libertação
Principais Características:
Educação voltada para discussão dos temas sociais e políticos do País e do mundo, na qual é eliminada a relação de autoridade entre professor e aluno.
Bases históricas
As origens do método estão na educação popular dos anos 1950 e a base pedagógica está nas teorias de Paulo Freire (1921-1997).

Pedagogia Renovada
Principais Características:
O centro da sala de aula não é o professor nem o conteúdo, e sim o aluno. A aprendizagem se dá pela descoberta  das crianças, por meio da experiência, a partir de seu próprio interesse por cada assunto.
Bases históricas
O método baseia-se no movimento Escola Nova, da década de 1930, que defendia a universalização da escola pública, laica e gratuita.

Tradicional
Principais Características:
Predominância de aulas expositivas, em que a função do professor é a principal dentro da sala - sua postura é autoritária. O aluno deve assimilar o conteúdo por meio das aulas e exercícios.
Bases históricas
Modelo instituído pelo Iluminismo francês no século 18.

Waldorf
Principais Características:
Os alunos são divididos em faixas etárias, e não em séries ( as crianças dos 7 aos 14 anos estudam juntas). O método utiliza muitas atividades artísticas, além de artesanato. O pensamento puramente abstrato é inserido apenas durante o ensino médio.
Bases históricas
A pedagogia Waldorf baseia-se na antroposofia, corrente filosófica desenvolvida por Rudolf Steiner  (1861-1925), segundo o qual o ser humano é constituído por três elementos: corpo, alma e espírito. Além da educação, a antroposofia também tem correntes na medicina e na agricultura.