terça-feira, 11 de agosto de 2015

LEITURA - SAVIANI




A falta de compreensão na leitura bem como a incapacidade da própria decodificação impossibilita o aluno a ter acesso aos conteúdos de todas as áreas. Prova disso são os resultados obtidos pelos alunos brasileiros em exames nacionais como a Prova Brasil, O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e em avaliação internacional como o PISA. (Saviani).

A EDUCAÇÃO DO SER POÉTICO - CARLOS D. DE ANDRADE




Por que motivo as crianças, de modo geral, são poetas e, com o tempo, deixam de sê-lo?
Será a poesia um estado de infância relacionada com a necessidade de jogo, a ausência de conhecimento livresco, a despreocupação com os mandamentos práticos de viver – estado de pureza da mente, em suma?
Acho que é um pouco de tudo isso, se ela encontra expressão cândida na meninice, pode expandir-se pelo tempo afora, conciliada com a experiência, o senso crítico, a consciência estética dos que compõem ou absorvem poesia.
Mas, se o adulto, na maioria dos casos, perde essa comunhão com a poesia, não estará na escola, mais do que em qualquer outra instituição social, o elemento corrosivo do instinto poético da infância, que vai fenecendo, à proporção que o estudo Sistemático se desenvolve, ate desaparecer no homem feito e preparado supostamente para a vida?
Receio que sim.
A escola enche o menino de matemática, de geografia, de linguagem, sem, via de regra, fazê-lo através da poesia da matemática, da geografia, da linguagem.
A escola não repara em seu ser poético, não o atende em sua capacidade de viver poeticamente o conhecimento e o mundo.
Sei que se consome poesia nas salas de aula, que se decoram versos e se estimulam pequenas declamadoras, mas será isso cultivar o núcleo poético da pessoa humana?
Oh, afastem, por favor, a suspeita de que estou acalentando a intenção criminosa de formar milhões de poetinhas nos bancos da escola maternal e do curso primário.
Não pretendo nada disto, e acho mesmo que o uso da escrita poética na idade adulta costuma degenerar em abuso que nada tem a ver com a poesia.
Fazem-se demasiados versos vazios daquela centelha que distingue uma linha de poesia, de uma linha de prosa, ambas preenchidas com palavras da mesma língua, da mesma época, do mesmo grupo cultural, mas tão diferentes.
Se há inflação de poetas significantes, faltam amadores de poesia – e amar a poesia é forma de praticá-la, recriando-a.
O que eu pediria à escola, se não me faltassem luzes pedagógicas, era considerar a poesia como primeira visão direta das coisas e, depois, como veículo de informação prática e teórica, preservando em cada aluno o fundo mágico, lúdico, intuitivo e criativo, que se identifica basicamente com a sensibilidade poética.
Não seria talvez despropositado cuidar de uma extensão poética das escolinhas de arte, esta ideia maravilhosa que Augusto Rodrigues tirou de sua formação humana de artista para a realidade brasileira. Longe de ser uma fábrica alarmante de versejadores infantis, essa extensão, curso ou atividade autônoma, ou que nome lhe coubesse, daria à criança condições de expressar sua maneira de ver e curtir a relação poética entre o ser e as coisas. Projeto de educação para a poesia (fala-se hoje em educação artística no ensino médio, quando o mais razoável seria dizer educação pela arte).
A vocação poética teria aí uma largada franca, as experiências criativas gozariam de clima favorável sem que tal importasse na obrigação de alcançar resultados concretos mensuráveis em nível escolar.
Sei de casos em que um engenheiro, por exemplo, aos 30, 40 anos, descobre a existência da poesia…
Não poderia tê-la descoberto mais cedo, encontrando-a em si mesmo, quando ela se manifestava em brinquedos, improvisações aparentemente absurdas, rabiscos, achados verbais, exclamações, gestos gratuitos?
Alguma coisa que se bolasse nesse sentido, no campo da Educação, valeria como corretivo prévio da aridez com que se costuma transcrever os destinos profissionais, murados na especialização, na ignorância do prazer estético, na tristeza de encarar a vida como dever pontilhado de tédio.
E a arte, como a educação e tudo o mais, que fim mais alto pode ter em mira senão este, de contribuir para a educação do ser humano à vida, o que, numa palavra, se chama felicidade?
(Transcrito do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro – RJ, 20.07.74)

RESENHA: PEDAGOGIA DA AUTONOMIA






Paulo Freire, nasceu  1921, na cidade de Recife (PE), em 1959 graduou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão.  Dentre tantas obras, publicou aquela que a meu ver deixa mais do que análises e sugestões. Paulo Freire condensa com maestria uma forma de pensar moderna progressista e militante em favor da autonomia do educando.
Pedagogia da Autonomia  mostra um do saberes fundamentais à prática crítico-educativa que segundo Freire é o que adverte da necessária promoção da curiosidade espontânea para a curiosidade epistemológica.
Aborda no primeiro capítulo,  a ideia mestra que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua produção ou a sua construção.  Nos ensina a pensar certo, não apenas ensinar conteúdos.
No capítulo II, Freire nos ensina a partir do ser do professor. Da infinitude  do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente. Ensina-nos que devemos respeitar à autonomia, à dignidade e a identidade do educando.
O autor mostra uma competência geral, um saber de sua natureza e saber especial, ligado a sua atividade docente.

Freire diz que não é apenas objeto da história, mas é sujeito. No mundo da história da cultura, da política ( a prática educativa é em si uma prática política) e constata não para se adaptar, mas para mudar. Mudar é difícil, mas é possível.
No Capítulo III fala de outra qualidade indispensável à autoridade em suas relações com as liberdades é a generosidade.
Outro saber mostrado no livro é o da impossibilidade desunir o ensino dos conteúdos de formação ética dos educadores. De separar prática da teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor, de respeito aos alunos, ensinar de aprender. O autor se coloca em favor da compreensão e da prática, da avaliação enquanto instrumento de apreciação do que fazer de sujeitos críticos a serviço, por isso, mesmo, da libertação e não da domesticação. A avaliação em que se estimule o falar a como caminho do falar com.

Sua percepção do homem e da mulher como seres “programados para aprender” e, portanto para ensinar, para conhecer, para intervir, que faz entender a prática como um exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educando.



domingo, 9 de agosto de 2015

PREZI TDAH

https://prezi.com/dtxqe17u_lsl/copy-of-transtorno-do-deficit-de-atencao-e-hiperatividade/#

TEMPO DE APRENDER



O presente texto trará uma reflexão sobre o tempo escolar. O tempo é algo abstrato, mas completamente mensurável, divisível, comparável, este é o aspecto o quantitativo e  é extrínseco ao ser. O aspecto  qualitativo (o tempo interno, que envolve as características individuais de cada pessoa, sua disponibilidade, organização interna e potencial), e o sequencial (tempo que diz respeito à elaboração, conceituação, maturação e aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, a organização temporal de atos e fatos).
 Alguns aspectos devem ser considerados quando falamos de aprendizaagem:
 –  personalidade;
–  interesse e motivação;
–  capacidade intelectual;
–  ritmo pessoal de trabalho e de progresso.
Cada criança terá seu tempo e exigirá respeito e uma adaptação adequada para que evolua em seu processo de aprendizagem. sabemos que alunos com autismo, PC, SD ou outras necessidades educativas especiais necessitam de mais práticas e repetições, mas devemos variar convenientemente a apresentação do material para evitar rotina e desinteresse e possibilitar que se detectem focos de interesses e estratégias de apoio eficientes. Gibson (1985) afirmou que crianças com SD e outras deficiências não são apenas atrasadas; elas têm algumas dificuldades específicas de aprendizagem e seus programas devem ser estruturados com vista a compensar diretamente estas dificuldades.
O desenvolvimento cognitivo da criança com SD e necessidades educativas especiais passa essencialmente pelas mesmas etapas do desenvolvimento cognitivo de todas as crianças, porém de maneira mais lenta. Apresenta dificuldades de superação de algumas etapas, com patamares mais extensos entre as novas aquisições, que não necessariamente significam parar, ou estacionar na aprendizagem, e representam um tempo de consolidação, apropriação das aquisições anteriores.
Resultado de imagem para tempo e criança
 O déficit de integração temporal acarreta distúrbios em duas das funções cognitivas: em certas formas de memória, especialmente a de curto prazo e na planificação prospectiva. Crianças com SD ou deficiências intelectuais podem ter dificuldade em desenvolver estratégias espontâneas para melhorar a capacidade de memória, o que compromete a retenção dos conhecimentos. Conscientes desta dificuldade, professores devem estimulá-las com intervenções adequadas.
Definir o ritmo de cada aluno é tarefa difícil. Na hora de sistematizar os objetivos específicos e parciais para um aluno, podem se encontrar dificuldades, porque nem sempre é evidente o funcionamento cognitivo da criança, se ela precisa de maiores parcelamentos do conteúdo ou se avança “pulando” algum passo. A experiência tem demonstrado que é mais eficaz determinar que a criança necessita avançar pouco a pouco, tendo êxito sempre e que, para isso, há que se elaborar muitos passos intermediários antes de chegar a um objetivo mais geral. Se uma criança não precisar de todos esses passos, ela mostrará ao professor, que lhe facilitará seu avanço mais rápido.O professor precisa ser observador, flexível e criativo para analisar as causas da falta de progressos ou de progressos muito lentos, e assim modificar o programa. O importante é fugir das aquisições mecânicas, que permitem inserir comportamentos passivos e reativá-los sob comando, satisfazendo em parte as fantasias reparadoras.
Alguns aspectos que revelam a abrangência e importância da noção TEMPO na aprendizagem na SD e outras deficiências intelectuais:
 1. a noção temporal propriamente dita, conceitos de antes, depois, ontem, hoje, amanhã, dias da semana, podem demorar  a ser  adquiridos.
2. a criança pode ter dificuldade na sequencialização temporal em relação à organização da sílaba na palavra, da  palavra na frase, da frase na narrativa.
3. dificuldade em organizar fatos temporalmente em suas narrativas.
4. pode ter menor tempo de atenção e concentração em atividades.
5. a criança precisa de mais tempo para aprender.
6. permanece mais tempo em determinados patamares de aprendizagem.
7. apresenta tempos diferentes, assincronias entre suas próprias aquisições.
8. precisa de mais tempo para responder.
9. seu tempo lentificado costuma causar ansiedade nos pais, professores e terapeutas.
10. a ansiedade provocada por seu tempo lentificado nos adultos que a cercam, pode desencadear na criança insegurança e  desmotivação para aprender.

 Referências Bibliográficas:
– Síndrome de Down / José Salomão Schwartzman…[et.al] – São Paulo : Ed. Mackenzie : Memnon, 1999
– Síndrome de Down y Educación – Jesús Florez e Maria Victoria Troncoso. Cantabria : Masson-Salvat Medicina, 1991

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

DISTROFIA MUSCULAR DO TIPO DUCHENNE




DMD:

A distrofia muscular tipo Duchenne foi descrita pela primeira vez no século XIX (década de 60) por  Guillaume Duchenne.

O QUE É:
Trata-se de uma doença muscular degenerativa mais comum ligada ao sexo, manifestando-se unicamente em meninos, independente de origem étnica e racial, com alta taxa de mutação do  gene localizado no braço curto do cromossomo X. Logo é um defeito localizado no cromossomo X. O gene da DMD localiza-se no braço curto do cromossomo X.
O homem que apresenta um gene defeituoso irá desenvolver a doença visto que ele tem um cromossomo X e um Y. A mulher por ter dois cromossomos X, estará protegida da doença mesmo que um dos seus cromossomos tenha uma mutação, sendo ela portadora; este gene defeituoso poderá ser transmitido pela mulher aos seus filhos do sexo masculino, que desenvolverão a doença, ou as suas filhas que poderão ser portadoras.
Em 2/3 dos casos a mutação é adquirida da mãe e em 1/3 a mutação ocorre no próprio menino afetado.
O gene responsável pela DMD foi clonado em 1986 e identificada a proteína que ele produz, a distrofina, cuja ausência acarreta as alterações musculares. O gene é muito grande e estudos tem identificado uma parte dele que é funcionalmente capaz de produzir tal proteína. Em 65% dos casos, ocorre perda de uma parte do DNA (deleção), em 5% duplicação do gene e em 30% dos casos mutação de ponto.  
INCIDÊNCIA:
Sua incidência de 1 a cada 3.500 nascidos vivos.
Na DMD há ausência de distrofina que é uma proteína do citoesqueleto da membrana da célula muscular que está ligada a um complexo glicoprotéico chamado complexo glicoproteico ligado à distrofina.

Essa deficiência aumenta a permeabilidade da membrana celular e naturalmente aumento do influxo de cálcio para o interior da célula (HOFFMAN, 1987). O aumento da concentração de cálcio intracelular pode aumentar a produção de espécies reativas de oxigênio pela mitocôndria em modelo animal de DMD (NETHERY, 2000).

DIAGNÓSTICO: A confirmação do diagnóstico de DMD é realizado através de testes bioquímicos do sangue que apontará as concentrações da enzima sérica creatina quinase (CK), da biópsia muscular, por histórico familiar e pela apresentação dos sinais clínicos.

PRIMEIROS SINAIS:
Os primeiros sinais e sintomas clínicos se manifestam, em média, entre os 3 e 5 anos de idade. O portador apresenta um atraso para sentar-se, ficar em pé, caminhar, correr, saltar e sofre quedas freqüentes.
Os pacientes perdem a capacidade da marcha entre os 8 e 12 anos de idade. Após este evento, podem surgir deformidades na coluna vertebral e nos membros inferiores, há um maior comprometimento respiratório, o que interfere na  independência funcional e na sobrevida deste paciente

A evolução da DMD, decorrente da degeneração muscular, ocorre de tal forma que a criança por volta de sete a treze anos de idade fica incapacitada de realizar a marcha independentemente. Com a necessidade da utilização da cadeira de rodas, os encurtamentos e os problemas posturais se intensificam, ocasionando normalmente uma cifoescoliose e deformidades em flexão de membros superiores e inferiores, consequentes das contraturas que ocorrem devido ao posicionamento contínuo na posição sentada e pelo próprio processo da doença. Quando há rotações das vértebras na coluna, consequentemente há uma deformidade na caixa torácica, que juntamente com a fraqueza da musculatura, leva a complicações respiratórias repetitivas, sendo estas e o comprometimento cardíaco as causas mais frequentes do óbito do paciente.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

UMA INICIATIVA QUE MERECE SER COMPARTILHADA: PROGRAMA DE APOIO ÀS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS (PPNE)

"O Programa de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (PPNE) foi criado em 1999, vinculado à Vice-Reitoria, após diversas discussões sobre o ingresso e as condições de permanência e diplomação dos estudantes com necessidades especiais na Universidade de Brasília. A implantação do Programa foi orientada pelo marco legal da Constituição Federal, a Política Nacional de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, e demais legislações, com o objetivo de proporcionar condições de acesso e permanência desses estudantes no ensino superior. O PPNE tem o objetivo de estabelecer uma política permanente de atenção às pessoas com necessidades especiais na UnB e assegurar sua inclusão na vida acadêmica, por meio da garantia de igualdade de oportunidades e condições adequadas para o seu desenvolvimento na universidade." 


Fonte: documento original
Para conhecer acesse o site:

www.ppne.unb.br